James Baldwin, pregador de uma América que ainda está por ... - Público

James Baldwin, pregador de uma América que ainda está por ... - Público
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Romancista, ensaísta, poeta, dramaturgo, activista, foi um dos grandes intérpretes da América do século XX (e da experiência afro-americana em particular). A América do século XXI recuperou-o para dizer, em coro com ele, que pouco mudou. Um documentário trá-lo até nós, a seguir virão os livros.

Baldwin sabia causar efeito. Aprendeu-o no tempo em que fez sermões na Igreja Pentecostal do Harlem entre os 14 e os 17 anos. Estudava os textos evangélicos e improvisava perante a audiência – “como um músico de jazz numa composição”, diria –, lendo-lhe as reacções, ajustando o que dizia de modo a ganhar e a agarrar a atenção. Era um pregador a tentar passar uma mensagem. Abandonaria a religião, mas foi no púlpito que aprendeu o poder da palavra e, no caso da oralidade, do tom.

Nos ensaios, nos romances, nos poemas e nas peças de teatro que escreveu, nas intervenções públicas com que se tornou protagonista da luta pelos direitos civis, Baldwin foi “a testemunha” e essa característica elevou-o ao estatuto de figurar – vale o que vale, sim – como um dos autores do cânone americano. Começou a escrever em 1953, aos 29 anos; morreu em 1987, com 63. A sua obra reflecte a relação conflituosa que sempre teve com o seu país: a América, onde não queria ser tratado como branco nem como negro, mas como um homem para lá da raça ou da sexualidade. Um dia, anos depois das grandes lutas civis, em 1979, disse numa entrevista ao New York Times: "A América não mudou assim muito."